NOVO BLOG DE ALEXANDRE INACIO

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Muda o perfil da inseminação artificial

Voltei a escrever sobre genética bovina. Tenho um carinho especial por esse setor, já que meu primeiro emprego foi numa assessoria de imprensa que atendia a conta de uma central de inseminação artificial.

Quando comecei apurar essa matéria fiquei com medo de não achar nada de novo nesse segmento, mas descobri que a maior parte das doses de sêmen vendidas hoje em dia são para serem usadas na produção de carne. Quando eu fazia assessoria, a inseminação era muito mais usada para a geração de reprodutores e matrizes que participariam de exposições e eventos pelo mais, os chamados “animais elite”.

Mas tirando esse “fato novo”, pelo menos para mim, poucas coisas mudaram. A inseminação artificial não cresceu muito. Só 7% do rebanho nacional é inseminado, o que é pouco se comparado a outros países. Pesa contra a tecnologia o fato de o sistema de produção usado no Brasil ser de uma pecuária extensiva, ou seja, é muito mais difícil separar as vacas e inseminar uma por uma. Os entendidos no assunto dizem que isso está mudando e que até 2013 pelo menos 12% do rebanho de fêmeas será inseminado. É esperar para ver.

Enquanto isso o mercado de touros segue aquecido. Um criado me disse que só não vendeu mais no ano passado porque não tinha.

Enfim, na edição de hoje do Valor Econômico tem duas matérias falando sobre isso. Vale a pena ver para relembrar um pouco desse mercado.

Alexandre Inacio volta ao Rally da Safra

Alguns meses longe do blog me fizeram pensar sobre o quanto eu me dedico a ele. A conclusão foi que é menos do que eu gostaria, porém, a falta de tempo também não permite que eu vá muito além.

Com isso, vou tentar me dedicar o máximo possível. Minha ideia voltar a fazer comentários e análises de algumas coisas que acontecem no mundo do agronegócio e do setor de alimentos. Nesta semana vou esquentar os motores aos poucos para semana que vem voltar a ser mais presente por aqui.

Isso não é por acaso. No próximo domingo, dia 24/01 embarco para Cuiabá para participar de mais uma edição do Rally da Safra, promovido pela Agroconsult. No ano passado, ainda na Agência Estado, fui premiado com a melhor cobertura de imprensa. Agora, no Valor Econômico, mas vamos se consigo repetir o feito.

Não vou prometer grandes textos, mas pelo menos boas imagens eu pretendo fazer e disponibilizar aqui no Blog.

Credores aprovam plano de recuperação do Independência

recuperação judicialDemorou, mas finalmente o plano de recuperação judicial do frigorífico Independência foi aprovado. Eu tive que esperar quase 13 horas para conseguir essa informação, já que cheguei às 10h e sai as 23h. Os credores, no entanto, esperaram mais. Foram quase nove meses de conversas, discussão, propostas, idas,vindas, brigas, ameaças, mas parece que a proposta ficou boa para todo mundo. Na verdade, ficou boa para 98,64%, já que alguns bancos e dois pecuaristas foram contra a proposta apresentada.

Um ponto curioso é que os bancos queriam virar sócios do frigorífico, caso ele não fosse vendido em dois anos. Essa proposta não foi aceita pelos controladores, já que, pela proposta feita, os bancos controlariam 50% da empresa. Além disso, os bancos queriam que as garantias dos controladores permanecessem no processo, mesmo depois de o plano ser cumprido, o que, obviamente, também não foi aceito.

O fato é que o negócio saiu, a empresa deve ser vendida em breve e as atividades devem ser retomadas. A pergunta que fica é: quem vai comprar o Independência com a dívida que ainda sobrou (e que não é nada pequena)?

Rural discute efeitos do câmbio sobre o agronegócio

dolarHoje, a Sociedade Rural Brasileira (SRB) vai discutir os efeitos da desvalorização do dólar sobre o agronegócio brasileiro. A discussão é válida, vai envolver ex-presidentes da Rural, o atual secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio, e mais uma série de lideranças do setor. Infelizmente não poderei participar do encontro, pois a essa hora já estou a caminho da assembléia do Independência, mas uma pergunta que eu gostaria de fazer é: dado que o dólar está realmente fraco, o que pode ser feito?

Conversando com alguns amigos não consegui chegar a nenhuma conclusão. Manter um câmbio fixo não seria interessante, apesar de nossas reservas estarem bem elevadas; uma maior intervenção do governo também não é muito bem vista por investidores. Aumentar a cobrança de IOF sobre a entrada de capital estrangeiro, também provocaria bastante barulho. Vale destacar que desde que esse negócio foi instalado, o Banco Central começou a registrar seguidos déficits diários no fluxo cambial, ou seja, saiu mais dólar do País do que entrou, sinal que algum efeito já teve.

 Para concluir, se o Brasil perde competitividade com o real mais forte, o jeito é tentar recuperar parte disso de alguma forma. Melhor eficiência produtiva é uma alternativa, mas que tem efeito de médio prazo. Mais rápido e talvez mais efetivo seria uma redução de impostos, que aumentaria a competitividade fiscal das empresas. Na prática, perde-se de um lado e ganha-se de outro. Só falta convencer o governo a fazer isso e num período que a arrecadação está em queda.

Independência à venda

Amanhã pode ser o último dia de assembleia de credores do frigorífico Independência. Na semana passada a empresa divulgou seu novo plano de recuperação com algumas mudanças importantes. A maior delas é que, ao que tudo indica, a empresa procura um comprador. Posso ter entendido errado o que estava escrito no plano, mas a quantidade de detalhes, prazos para enviar convites de compra e prazos para responder às propostas são coincidências demais.

Diz o plano:

Buscando revitalizar o capital e as atividades do Grupo Independência, no melhor interesse do Grupo Independência e de seus credores, funcionários e colaboradores, os Sócios Controladores obrigam-se desde já a procurar, encaminhar e/ou analisar propostas que impliquem em Alienação de Controle, direta ou indireta, do Independência. Resumo: Estamos atrás de um comprador.

Na fila de pretendentes estariam Marfrig, JBS e a BRF. A Marfrig disse que não negociou com os donos do Independência, o presidente da BEF disse recentemente que o foco da empresa seria reforçar o segmento de industrializados e as marcas da empresa no exterior. A JBS nunca disse nada, mas vem de uma mega fusão com a Bertin. Façam suas apostas, porque as cartas estão na mesa.

Liderança na exportação de frango está ameaçada

exportação de frangoDesde 2004 o Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo. Desde aquele ano as empresas brasileiras superaram as americanas e até agora dominam o comércio mundial. Só que essa liderança está ameaçada e quem diz isso não são os americanos, mas os próprios brasileiros. Conversei ontem com o presidente da Abef, Francisco Turra, e ele me disse que se as condições do câmbio se mantiverem como estão e a União Europeia mudar as regras para classificação do frango brasileiro o Brasil poderá sim perder seu reinado, que dura cinco anos. Só no ano que vem o Brasil poderia ter uma queda de 10% nas exportações.

O espaço deixado pelo Brasil seria ocupado por Estados Unidos, que atualmente é o maior produtor e segundo maior exportador, e também pela Argentina. Parece loucura, mas a Argentina tem uma trajetória de produção e exportação muito grande na última década. Nos últimos dez anos, a Argentina elevou sua produção de 870 mil toneladas em 2000 para 1,6 milhão de toneladas em 2010. No mesmo caminho, as vendas externas saíram de modestas 11 mil para uma estimativa de 204 mil toneladas.

Já pensaram ver os argentinos tomando espaço do Brasil no comércio de frango, assim como já fazem com a carne bovina. Só falta agora o mundo achar que o frango deles é melhor que o nosso. Vamos ver no que dá.